A ideia de que a carne vermelha é necessária ao organismo como principal fonte de proteína, bem como ovos, laticínios e outros produtos de origem animal, já é ultrapassada.
De acordo com dados da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), considerando a população de todo o mundo, o consumo de proteínas vegetais equivale a 65% do total de proteínas ingeridas. Trata-se de uma surpresa?
Essa tendência só inverte nos Estados Unidos, onde nota-se um aumento do consumo de produtos de origem animal. No Brasil, o vegetarianismo é um estilo de vida que cresce a cada dia. No entanto, a alimentação vegetariana, em suas variadas formas, por vezes é alvo de questionamentos quando a discussão envolve o teor nutricional dos alimentos e as necessidades do organismo.
Para vegetarianos ou não-vegetarianos adultos, a quantidade de proteína necessária ao organismo é equivalente desde que a rotina alimentar seja balanceada. Isso implica em focar na diversidade de alimentos como fonte de diferentes vitaminas, proteínas e minerais. A combinação de alimentos de diferentes grupos compõe uma dieta completa em nutrientes, inclusive dentro de uma alimentação vegetariana diversificada.
Mas, afinal, a alimentação vegetariana precisa de suplementação?
Especialistas advertem que não é possível afirmar, com base em evidências científicas, que pessoas cuja dieta não contempla nenhum tipo de carne nem produtos de origem animal, como ovos e laticínios, estejam à margem de alguma deficiência proteica ou de qualquer outro tipo de nutriente.
Existem alguns mitos que precisam ser desfeitos quando ampliamos a análise sobre as proteínas de origem vegetal. Alguns alimentos podem até apresentar baixos teores de algum aminoácido específico e é por isso que uma alimentação balanceada, e diversificada em mais de um grupo de alimentos, oferece todos os aminoácidos em quantidades suficientes.
Mas lembre-se: quase todos os aminoácidos necessários ao organismo podem ser encontrados em uma alimentação balanceada que varia o consumo de folhas, sementes, grãos, verduras e legumes.
O ferro pode ser encontrado em grãos como feijão e lentilha ou verduras escuras como o espinafre. O cálcio pode ser consumido para além do leite, em alimentos como couve, escarola e brócolis. O zinco é encontrado em cereais e oleaginosas como linhaça, chia e castanhas.
Enfim, é possível prover o aporte diário de nutrientes para o corpo a partir de uma alimentação saudável e balanceada, recorrendo à suplementação vegetal em casos mais extremos. O desafio está em saber como se adaptar e equilibrar a rotina alimentar para suprir as necessidades do organismo.
O único nutriente que, dependendo dos casos, precisa de suplementação na dieta é a vitamina B12, que não está presente no reino vegetal. Alimentos de origem animal consumidos com alguma frequência por vegetarianos, como ovos, queijos e leites contêm essa vitamina.
Devido à dificuldade do organismo em extrai-la dos alimentos, alguns especialistas recomendam a suplementação para pessoas acima dos 50 anos, sejam ou não adeptas à alimentação vegetariana.
Recomenda-se que adeptos do vegetarianismo estrito, no caso dos veganos, acompanhem as taxas sanguíneas a partir de exames laboratoriais e suplementem a vitamina B12 para atingirem a quantidade mínima recomendada, que a partir dos 14 anos é de 2,4 microgramas por dia. A suplementação nutricional para vegetarianos, seja à base de soja, arroz ou ervilha, só deve acontecer em caso de carência no organismo.
Proteína de ervilha: uma grande descoberta
É interessante ressaltar que a suplementação nutricional não acontece apenas em casos de prática esportiva. As proteínas de origem vegetal, que em grande parte provém de leguminosas, podem servir como alternativa para o consumo tanto de atletas como de pessoas que estão deixando de comer carne.
A proteína de ervilha, por exemplo, é rica em ferro e zinco, além de ter absorção rápida pelo corpo. Também possui grande quantidade de aminoácidos essenciais que contribuem para o ganho de massa muscular, o que a torna uma ótima opção para a suplementação em atletas veganos.
A proteína de ervilha isolada apresenta grande concentração de proteína pura. Cerca de 80% da fórmula é proteína, com apenas 6% de gordura. Deste total, a maior parte é gordura insaturada, a chamada gordura boa, que ajuda a reduzir o colesterol ruim e o risco de doenças cardiovasculares.
É importante ressaltar que a estratégia de suplementação deve ser elaborada por bons nutricionistas, profissionais que estão habilitados a estabelecer os melhores cardápios para garantir o consumo diário de nutrientes.
0 Comentários